Nesse flagrante feito na boca-de-fumo existente na
localidade conhecida como Pedra Lisa, no Morro da Providência, aparece Eduardo
Felipe Santos Victor, 17 anos vendendo drogas. As fotos foram registradas
na semana passada e, nesta terça-feira, dia 29 de setembro, moradoras do local
registraram a morte do menor.
É lamentável que policiais sejam flagrados alterando uma
cena de crime?
Sim, é.
Mas sabe de quem é a culpa?
De todos que incentivam a lógica do extermínio como política
de segurança pública. Sejam autoridades, políticos, integrantes da sociedade ou
da imprensa.
De todos que transformam criminosos em vítimas e não dão voz
e nem espaço para as verdadeiras vítimas.
De janeiro a hoje, 27 policiais foram assassinados nos
Estados Unidos - que possuem 50 estados (o recordista foi o Texas, com 10
casos). Enquanto isso, no Brasil, somente no Estado do Rio de Janeiro, foram 53
policiais mortos no mesmo período.
Por que o caso de um policial militar torturado, amarrado a
um cavalo e arrastado por ruas de uma favela, somente por ter sua identidade
descoberta - tão lamentável quanto a alteração de uma cena de crime - merece
apenas algumas linhas em algum rodapé de página de alguns jornais ou alguns
segundos de menção em alguns telejornais?
Por que na hora de escolher o lado certo, escolhe-se o
errado?
Acaba-se provocando a impressão de que o crime compensa e de
que o criminoso tem mais direitos do que aqueles que cumprem as leis.
A culpa é de todos nós, porque o povo é o primeiro a gritar
"bandido bom é bandido morto", "por que prendeu?", mas
depois também é o primeiro a exigir "tem que expulsar, tem que
prender" e a chamar o policial de "assassino".
No final das contas, quem perde é sempre o policial - seja a
profissão, a carreira, a liberdade, seja tudo isso e mais os amigos, a família,
o crescimento dos filhos.
A partir do momento em que bandidos não têm mais
medo e nem respeito por policiais, o que dirá por nós, simples mortais...






